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Transtornos afastam docentes das salas de aula
Veículo: Correio Braziliense Data: 05.08.12
Excesso de trabalho, falta de condições e decepção com o desinteresse dos alunos impactam na saúde de professores, segundo especialistas. Apenas no Distrito Federal, cerca de 2% dos profissionais não atuam devido a doenças emocionais
Os sintomas tomaram conta da cabeça e do corpo lentamente, em um processo silencioso. Cansaço sem fim, irritação, choros compulsivos e desinteresse. As horas dentro de sala de aula passavam arrastadas, o amor pela profissão já não era o mesmo e acordar para ir trabalhar era cada vez mais difícil. Mesmo assim, a professora Geusilene Bonfim, 44 anos, custou a acreditar que estava doente. Aconselhada pela direção do Centro Educacional Caseb, onde trabalha até hoje, ela procurou um médico e foi diagnosticada com depressão. Geusilene ficou 11 meses afastada. Depois de mais de dois anos em tratamento, ela voltou à escola e trabalha atualmente no apoio à coordenação. Apesar da expressão quase sempre alegre, os olhos da professora ainda reservam uma certa tristeza. “Eu não tenho vontade de voltar a dar aula. Me sinto melhor agora, tem menos pressão”, considera. (...)
Rede particular também é afetada
Os transtornos psicológicos também têm chamado a atenção na rede privada de ensino. Dados do Ministério da Previdência Social apontam que, em 2010, 2.711 funcionários do setor estavam afastados por problemas de depressão, estresse, ansiedade, síndrome do pânico, entre outros. No ano seguinte, houve um aumento de 112 casos. A pasta só contabiliza afastamentos médicos superiores a 15 dias. Nos dois anos, o maior número de doentes estava nas redes privadas de ensino superior — quase 50%. Os funcionários da educação infantil e fundamental representam o segundo maior grupo, com 700 benefícios concedidos em 2010 e 745 em 2011.
Na avaliação do vice-presidente do Sindicato das Escolas Particulares do DF, Álvaro Moreira Domingues Júnior, o quadro não é recente, no entanto, se agravou nos últimos anos. Segundo ele, a profissão é muito exigida e o comportamento dos alunos tem se modificado bastante. “A escola tem que exercer o trabalho da família. As crianças têm excessiva permissividade e os limites precisam ser impostos pelos professores. Mesmo na rede privada, os salários também são motivo de desgaste. “Muitas vezes, o docente precisa trabalhar em mais de um colégio para manter um padrão de vida”, analisa. (PF)

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